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Redação do Enem exige paciência e planejamento

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) intimida muitos estudantes. Isso porque exige dos candidatos que sejam capazes de argumentar, analisar, planejar, expressar e compreender o mundo numa folha de papel. Os temas são muito diversos e sempre pegaram de surpresa os que acham que é possível prever o que vai cair. É uma prova com muitas regras que podem até eliminar o candidato, ainda que faça bem as demais provas. Mas para que nada disso atrapalhe o desempenho, a principal recomendação é calma, paciência e planejamento. O preparo precisa ser com treino e muita leitura.

Para o professor mestre Mateus Maia, que dá aulas de redação no Colégio Marista, a leitura é o fundamental. Um estudante que lê bastante - livros, revistas, jornais ou sites - e acessa mais produtos culturais - filmes, séries, músicas - tem vantagem sobre o aluno que lê pouco ou nada e que não consome esse produtos culturais. O tempo que cada um leva para desenvolver o texto é diferente. Mais leitura significa mais repertório de texto e informação. Assim, o candidato evita o choque com um tema de redação inusitado. O que se espera, aponta o professor, é que o aluno apresente “leitura de mundo”. Algo que ele conceitua como a capacidade de compreender e analisar várias realidades.
“O tema do ano passado foi desafio para a formação educacional para surdos no Brasil. Quem esperaria um tema desses? Por isso não dá para prever temas de redação. Mas um fato é que o Enem propõe temas com problemas sociais existentes e atuais no Brasil. E mais recentemente, vem cobrando soluções. Houve ainda, em 2016, o tema de caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil. Em 2015, a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. O aluno precisa estar pronto para analisar temas como esses. Isso é a leitura de mundo”, observou o professor.

Diante dessa diversidade de temas e histórico de assuntos, Mateus destaca que a prova já foi fechada em 19 de maio. Por isso, não adianta correr aos jornais na esperança de encontrar um possível tema da redação que esteja mais atual. No entanto, essas pesquisas de temas recentes podem ajudar o estudante a formar um repertório de ideias e informações. Essas ideias podem dialogar com os textos de apoio apresentados na prova. E dialogar com citações de diversas fontes, que também podem ser filmes, séries, músicas. Os conhecimentos obtidos em outras disciplinas, como Filosofia, Sociologia, História e Geografia são igualmente importantes e necessários. Basta haver coesão, argumentação e não fugir do tema.
Organizar ideias leva tempo. O professor recomenda que a redação seja a primeira prova a ser feita. E que ao se deparar com o tema e textos de apoio, o candidato reúna todas as ideias e tópicos relacionados que conhece a respeito e comece a montar uma estrutura de texto. Quais ideias e informações irão em cada parágrafo e assim montar tudo no rascunho, que poderá ser consertado e reorganizado quanto necessário. Isso evita erros e arrependimentos. Antes de passar para o cartão-resposta, é necessária uma última revisão.

“Enem não é uma corrida de 100 metros. É uma grande maratona. Um aluno com leitura e que treinou leva uma hora e quinze, uma hora e meia para fazer a prova com tranquilidade, que é o ideal. Um aluno sem leitura, que treina pouco, leva duas horas ou mais e dificilmente consegue notas superiores a 600. Isso não significa que é ruim. Pode prejudicar o tempo de outras provas, só que é importante fazer a redação com calma, planejamento, atenção, rascunho e revisão. Leva tempo. Os primeiros corretores da prova precisam ser os próprios alunos”, comentou Mateus.
A prova leva em conta cinco competências, que valem 200 pontos cada (somando mil): norma padrão (gramática e ortografia); estrutura de texto e tema; projeto de texto e bom uso de argumentos; coesão textual; e elaboração de proposta de intervenção. Mateus alerta que a falta de domínio da gramática é algo que tira pontos rapidamente e faz com que excelentes alunos atinjam nota máxima. Erros como esse costumam ocorrer por pressa e falta de revisão, que poderiam detectar palavras repetidas, palavras faltando, letras faltando, concordância, etc.

“Muito cuidado com as fake news relacionadas a como fazer uma boa redação pela internet. Tem gente pegando dicas no Instagram, no Facebook, no YouTube. Quem são essas pessoas? Inventar métodos novos não é tão produtivo. Algumas técnicas infalíveis podem não dar certo para algumas pessoas sem tempo para treinar e acabar prejudicando”, ressaltou o professor, que alerta sobre possíveis temas: o Enem não é uma prova óbvia e os temas, por mais difíceis que pareçam, não são absurdos. 

“Mantenham a calma. Os temas são pensados para que todo e qualquer aluno, que concluiu o Ensino Médio tenha competência e capacidade de desenvolver. Quando pegarem a frase temática, leiam com atenção cada eixo. Leiam os textos de apoio. Percebam a frase como uma pergunta. E que o seu texto seja uma resposta. Planejem antes de começar a escrever. Tudo isso vai passando tranquilidade. Por fim, não tentar malandragens de pegar trechos dos textos motivadores de apoio e reescrever”, aconselhou.
Fonte: Portal ORM

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