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Segurança, educação, saúde e desemprego – Os gargalos da gestão do novo governador eleito no Pará

Por Pedro Souza  (16/10/2018)

Segurança pública
O novo governador eleito no estado do Pará, no próximo dia 28, vai encontrar o 6º estado mais violento do Brasil, conforme dados do ranking nacional de homicídios de 2018. A capital, Belém, ocupa a 6ª posição, com 53,6 mortes a cada 100 mil habitantes. Os dados fazem parte do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será divulgado na íntegra, no dia 3/11/2018, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em decorrência dessa realidade, o Pará é um dos estados da federação, onde o crime organizado mais mata policiais. Como defesa, a polícia do Pará ocupa a 3ª colocação relacionada à violência policial, com 4,5 mortos por 100 mil habitantes, no Brasil. Prevalece a Lei de Talião: "Olho por olho, dente por dente". Está faltando praticamente tudo para diminuir esse enfrentamento.
O relatório do FBSP leva em conta a soma das vítimas de homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio, e mortes ocorridas durante operações policiais. Investir nos órgãos de inteligência das polícias, adquirir novos equipamentos, aumentar o efetivo, além de retomar o controle dos presídios das grandes facções criminosas, ajudarão o povo a viver com mais tranquilidade na capital e no interior. Os números da violência revelam o descontrole e a falta de planejamento das autoridades para lidar com essa realidade. A nova equipe responsável pela segurança pública deverá controlar a violência no Pará, pois a população não suporta mais tantas mortes, assaltos e agressões.
Saúde pública
Diariamente, se ouve falar sobre o caos da saúde pública no Pará. São exames demorados, filas de esperas gigantescas, médicos que estão na escala, mas que não aparecem no dia do plantão marcado, parte do quadro de profissionais desqualificado, falta de leitos, má administração financeira, falta de especialidades médicas e atendimento pouco humanizado que atormentam os pacientes necessitados de atendimento nos hospitais públicos do estado e dos municípios no Pará. Medicamentos nos postos de saúde quase sempre estão em falta. Algumas cidades estão terceirizando os serviços para as organizações civis de saúde, as chamadas OS, mas não vem dando resultado positivo. Belém tem o 5º pior atendimento de saúde do Brasil. 
Desemprego
Longe de ser um assunto confortável, o desemprego é um fantasma que assombra muitos paraenses. Dados atualizados do IBGE demonstraram um aumento da taxa que atingiu 13,1% no primeiro trimestre de 2018 no Brasil. O percentual representa 13,7 milhões de pessoas desempregadas no país. No Pará, a taxa de 12,2%, referente ao primeiro trimestre de 2018, deixa vários jovens e pais de família sem ter de onde tirar o sustento de si próprio e de casa. O fechamento de várias siderúrgicas, indústrias, lojas, supermercados e a ausência de grandes projetos do governo federal causaram o desaparecimento das vagas de emprego no Pará. Um "caminho livre" para o crime organizado atuar e se expandir, como vem ocorrendo todos os dias.
Educação pública
Com um ensino médio militando sempre entre as três últimas posições, há anos, no ranking brasileiro que avalia a qualidade da educação básica, o “abismo é gigantesco”, para se melhorar a qualidade do ensino secundário no Pará. Mesmo recebendo o complemento do governo federal, o estado não paga o Piso Salarial para os educadores, grande parte das escolas está “caindo aos pedaços”, falta merenda e transporte escolar com regularidade. Em relação à educação infantil e o ensino fundamental, embora a maioria dos municípios receba o recurso do Fundeb diretamente do governo federal, a verba é insuficiente para se conseguir oferecer uma educação que atenda aos interesses da população carente. A maioria das crianças de 0 a 6 anos está fora das creches e falta recursos suficientes para reforma, climatização, ampliação e reformas das escolas já existentes.
Responsabilidade dos candidatos
A lista de “compromissos”, contida no “plano de governo”, dos candidatos, Helder Barbalho e Márcio Miranda, se melhorar os indicadores da segurança pública, se conseguir uma saúde pública mais eficiente e humana, se implementar a geração de emprego e alcançar a desejada qualidade na educação pública, o povo do Pará vai ficar imensamente satisfeito e agradecido. Por sua vez, partidários ou oposicionistas ao futuro governador, os senadores e deputados federais, eleitos, deverão cumprir seu papel inicial de legislar em favor do Brasil, mas também deverão se preocupar bastante em captar recursos para o estado, através de emendas, programas de governo e articulações políticas, porque só haverá desenvolvimento, se vierem investimentos pesados para o Pará.

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